Ir para o conteúdo principal

O que realmente importa quando qualquer um pode construir um produto

Yuhki YamashitaChief Product Officer, Figma
Imagem abstrata colorida de explosões suaves e salpicadas em formato de flores, em rosa, amarelo, verde, laranja e roxo espalhadas pelo quadro.Imagem abstrata colorida de explosões suaves e salpicadas em formato de flores, em rosa, amarelo, verde, laranja e roxo espalhadas pelo quadro.

Se com a IA qualquer pessoa pode criar produtos, o verdadeiro diferencial é saber o que vale a pena entregar.

Compartilhar O que realmente importa quando qualquer um pode construir um produto

Ilustrações de Pedro Sanches

Crescemos escutando que o futuro seria de quem soubesse programar, que ter visão era importante, mas o verdadeiro diferencial era saber como dar vida a ela.

Essa versão do futuro está desaparecendo, conforme a distância entre a imaginação e a realidade vão praticamente desaparecendo. Agora, as ideias ganham vida em velocidade surpreendente, e em um mundo dinâmico, essa velocidade tornou-se o padrão. Mas a velocidade pode criar uma falsa sensação de progresso. E se você estiver indo rapidamente na direção errada? E se todos estiverem indo rápido, mas não juntos?

Quando qualquer um pode entregar, a velocidade deixa de ser um diferencial. Mas a direção ainda importa. A questão já não é só como desenvolver, mas o que vale a pena desenvolver.

Escolher o que vale a pena desenvolver

O que realmente vale a pena não é óbvio. O espaço de possibilidades é vasto e navegá-lo depende tanto de arte quanto de método. Uma armadilha comum, especialmente para novos desenvolvedores, é agarrar-se à primeira ideia e trabalhar só nela. Você refina, itera, melhora, mas muitas vezes está só escalando montanhas locais, tomando decisões conforme a trajetória, sem nunca questionar o ponto de partida.

Com as ferramentas modernas, isso ficou perigosamente fácil: você pode concretizar ideias de forma imediata, muitas vezes isolada, com agentes que são infinitamente prestativos e concordam com tudo. Eles empurram você para frente, mas não além da sua primeira ideia, e você corre o risco de apegar-se a uma visão limitada sem ninguém para tirar você dali. Não é assim que você encontra a melhor ideia.

Desenvolvedores mais experientes, por outro lado, dirão para você começar com mais amplitude: mapear opções em um conjunto de direções de alto nível mutuamente exclusivas e coletivamente exaustivas (“MECE”) para comparar prós e contras. Mas essa abordagem tem seu próprio modo de falha: ela deixa tudo muito abstrato. Um 2x2 ou um conjunto de wireframes raramente são suficientes para gerar convicção. Ver a experiência do usuário final antes de se comprometer com uma direção pode parecer exagero, mas muitas vezes é a única maneira de convencer-se realmente de que uma ideia funciona.

A melhor maneira, que permite encontrar a ideia realmente certa, é ter amplitude e profundidade ao mesmo tempo. A IA já permite explorar múltiplas direções em paralelo, levando cada uma longe o suficiente para parecer real. Em vez de escolher um caminho, você gera várias opções em direções distintas e desenvolve cada uma concretamente: não apenas ideias, mas experiências completas.

No Figma, isso geralmente significa solicitar à nossa IA que produza múltiplos protótipos interativos, diferentes abordagens do mesmo problema, dispostas lado a lado. Você convida colegas de equipe (e agentes) para reagirem juntos, comparando não abstrações, mas experiências reais, e desenvolvendo as ideias uns dos outros.

Isso aponta para uma nova forma de trabalhar com IA, não isolada e sequencial, mas coletiva e paralela.

Bouquet abstrato colorido de flores suaves e salpicadas em rosa, roxo, laranja e amarelo com caules verdes sobre um plano de fundo claro.Bouquet abstrato colorido de flores suaves e salpicadas em rosa, roxo, laranja e amarelo com caules verdes sobre um plano de fundo claro.

Dê o seu toque pessoal

Escolher a direção certa faz você chegar a algo que vale a pena desenvolver. Mas quando qualquer pessoa consegue desenvolver, e fazê-lo com rapidez, tudo tende para o que é típico, de forma que "bom o suficiente" é um resultado fácil de alcançar e de aceitar. A IA produzi algo que parece correto à primeira vista, seguindo padrões com boa probabilidade estatística de funcionar, mas raramente com considerações profundas. Se você não questionar, esses padrões vão silenciosamente tornando-se o seu produto. O resultado é um mar de produtos que parecem intercambiáveis. E quando tudo funciona, as pessoas escolhem o que parece intencional, o que parece cuidado.

O verdadeiro modo de falha não é a falta de habilidade, mas a passividade: dizer sim à primeira sugestão, parar quando parece certo, seguir em frente porque já está “razoável”. É compreensível, pois os resultados são feitos para serem convincentes.

Mas a habilidade é o que separa o memorável do meramente funcional. Ela é ativa: exige escolha, não aceitação. Revisar e questionar cada decisão, refinar, remover, apertar, avançar além das primeiras versões até que o trabalho tenha um ponto de vista. Não basta o gosto inato, é preciso exercitá-lo com experimentação, com o olhar repetido que pergunta “isso está certo mesmo?”, trabalhando então para que fique certo.

A habilidade é o que separa o memorável do meramente funcional. Ela é ativa: exige escolha, não aceitação.
Yuhki Yamashita, diretor de produto da Figma

À medida que o padrão melhora, a média ficará cada vez mais bem trabalhada. O diferencial não vem das ferramentas ou da velocidade, mas do cuidado que você dedica ao trabalho. Neste universo, a única maneira de se destacar é ir além do que é dado e criar algo inconfundivelmente seu.

O que importa agora

Velocidade, direção e habilidade.

As melhores equipes não fazem sacrifícios: elas trabalham rápido, fazem escolhas deliberadas e estão sempre refinando. É isso que é preciso para construir algo que realmente se destaque. Porque quando qualquer coisa pode ser construída, a única vantagem está nas suas escolhas e na sua capacidade de dar-lhes forma.

Buquê abstrato simétrico de flores coloridas e salpicadas em um pequeno vaso, com um plano de fundo de grade suave.Buquê abstrato simétrico de flores coloridas e salpicadas em um pequeno vaso, com um plano de fundo de grade suave.
Three colorful spiral-bound book covers featuring bold editorial questions about design, AI, and creativity with playful illustrated graphics.Three colorful spiral-bound book covers featuring bold editorial questions about design, AI, and creativity with playful illustrated graphics.

This article was featured in our annual print magazine, Start Anywhere. Explore the digital version, or purchase a copy.

Create and collaborate with Figma

Get started for free