O que realmente importa quando qualquer um pode construir um produto


Se com a IA qualquer pessoa pode criar produtos, o verdadeiro diferencial é saber o que vale a pena entregar.
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Ilustrações de Pedro Sanches
Crescemos escutando que o futuro seria de quem soubesse programar, que ter visão era importante, mas o verdadeiro diferencial era saber como dar vida a ela.
Essa versão do futuro está desaparecendo, conforme a distância entre a imaginação e a realidade vão praticamente desaparecendo. Agora, as ideias ganham vida em velocidade surpreendente, e em um mundo dinâmico, essa velocidade tornou-se o padrão. Mas a velocidade pode criar uma falsa sensação de progresso. E se você estiver indo rapidamente na direção errada? E se todos estiverem indo rápido, mas não juntos?
Quando qualquer um pode entregar, a velocidade deixa de ser um diferencial. Mas a direção ainda importa. A questão já não é só como desenvolver, mas o que vale a pena desenvolver.
Escolher o que vale a pena desenvolver
O que realmente vale a pena não é óbvio. O espaço de possibilidades é vasto e navegá-lo depende tanto de arte quanto de método. Uma armadilha comum, especialmente para novos desenvolvedores, é agarrar-se à primeira ideia e trabalhar só nela. Você refina, itera, melhora, mas muitas vezes está só escalando montanhas locais, tomando decisões conforme a trajetória, sem nunca questionar o ponto de partida.
Com as ferramentas modernas, isso ficou perigosamente fácil: você pode concretizar ideias de forma imediata, muitas vezes isolada, com agentes que são infinitamente prestativos e concordam com tudo. Eles empurram você para frente, mas não além da sua primeira ideia, e você corre o risco de apegar-se a uma visão limitada sem ninguém para tirar você dali. Não é assim que você encontra a melhor ideia.
Desenvolvedores mais experientes, por outro lado, dirão para você começar com mais amplitude: mapear opções em um conjunto de direções de alto nível mutuamente exclusivas e coletivamente exaustivas (“MECE”) para comparar prós e contras. Mas essa abordagem tem seu próprio modo de falha: ela deixa tudo muito abstrato. Um 2x2 ou um conjunto de wireframes raramente são suficientes para gerar convicção. Ver a experiência do usuário final antes de se comprometer com uma direção pode parecer exagero, mas muitas vezes é a única maneira de convencer-se realmente de que uma ideia funciona.
A melhor maneira, que permite encontrar a ideia realmente certa, é ter amplitude e profundidade ao mesmo tempo. A IA já permite explorar múltiplas direções em paralelo, levando cada uma longe o suficiente para parecer real. Em vez de escolher um caminho, você gera várias opções em direções distintas e desenvolve cada uma concretamente: não apenas ideias, mas experiências completas.
No Figma, isso geralmente significa solicitar à nossa IA que produza múltiplos protótipos interativos, diferentes abordagens do mesmo problema, dispostas lado a lado. Você convida colegas de equipe (e agentes) para reagirem juntos, comparando não abstrações, mas experiências reais, e desenvolvendo as ideias uns dos outros.
Isso aponta para uma nova forma de trabalhar com IA, não isolada e sequencial, mas coletiva e paralela.

Dê o seu toque pessoal
Escolher a direção certa faz você chegar a algo que vale a pena desenvolver. Mas quando qualquer pessoa consegue desenvolver, e fazê-lo com rapidez, tudo tende para o que é típico, de forma que "bom o suficiente" é um resultado fácil de alcançar e de aceitar. A IA produzi algo que parece correto à primeira vista, seguindo padrões com boa probabilidade estatística de funcionar, mas raramente com considerações profundas. Se você não questionar, esses padrões vão silenciosamente tornando-se o seu produto. O resultado é um mar de produtos que parecem intercambiáveis. E quando tudo funciona, as pessoas escolhem o que parece intencional, o que parece cuidado.
O verdadeiro modo de falha não é a falta de habilidade, mas a passividade: dizer sim à primeira sugestão, parar quando parece certo, seguir em frente porque já está “razoável”. É compreensível, pois os resultados são feitos para serem convincentes.
Mas a habilidade é o que separa o memorável do meramente funcional. Ela é ativa: exige escolha, não aceitação. Revisar e questionar cada decisão, refinar, remover, apertar, avançar além das primeiras versões até que o trabalho tenha um ponto de vista. Não basta o gosto inato, é preciso exercitá-lo com experimentação, com o olhar repetido que pergunta “isso está certo mesmo?”, trabalhando então para que fique certo.
A habilidade é o que separa o memorável do meramente funcional. Ela é ativa: exige escolha, não aceitação.
À medida que o padrão melhora, a média ficará cada vez mais bem trabalhada. O diferencial não vem das ferramentas ou da velocidade, mas do cuidado que você dedica ao trabalho. Neste universo, a única maneira de se destacar é ir além do que é dado e criar algo inconfundivelmente seu.
O que importa agora
Velocidade, direção e habilidade.
As melhores equipes não fazem sacrifícios: elas trabalham rápido, fazem escolhas deliberadas e estão sempre refinando. É isso que é preciso para construir algo que realmente se destaque. Porque quando qualquer coisa pode ser construída, a única vantagem está nas suas escolhas e na sua capacidade de dar-lhes forma.


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